quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Título de Exemplo

No direito romano e no mundo real, herdam-se bens, não culpas. Filhos e netos não pagam pelos crimes de pais e avós.




Diferente é a tradição de povos antigos, que os judeus transferiram a cristãos e muçulmanos.
Mas o conceito de culpas herdadas apenas tem servido como disfarce e motivo para vinganças sucessivas de herdeiros de vítimas contra inocentes herdeiros de algozes que, tornados vítimas, sonharão com o castigo dos herdeiros das vítimas tornados algozes.
Diante de grandes crimes do passado, não nos resta, então, legitimamente, a vingança, mas só o aprendizado
O sacrifício dos impérios e culturas ameríndios tem conteúdo didático. Ele nos ensina, por exemplo, que o discurso do ódio esconde sempre motivações sinistras.
Nesses quatro textos – sobre o fim do Império Inca, o apogeu e destruição da República Guarani e as duas fases da guerra contra o Paraguai – tenta-se abrir um rasgão no véu que encobre os feitos maléficos dos vencedores.
Mas terá havido vencedores? Terá o ouro roubado dos templos do Tahuantinsuyo tornado mais feliz a Espanha? Tiveram os impérios ibéricos longo e próspero futuro
após a destruição das reduções jesuíticas dos Sete Povos das Missões? De que valeu a operação cuidadosamente urdida pela Inglaterra para liquidar com seu modesto concorrente paraguaio – no entanto nação coesa e dotada de fantástico espírito comunitário?
O ouro se perdeu, os imperadores tornaram-se vassalos, as glórias da guerra já não motivam sequer o orgulho de argentinos, brasileiros e uruguaios mobilizados outrora para a campanha de extermínio que ensanguentou o Prata.
A Inglaterra é um império decadente, com uma família real que frequenta o jet-set e práticas cortesãs um tanto ridículas.
Mas a destruição ficou.

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